em 04/03/2019

De acordo com os historiadores e arqueólogos o domínio da produção do fogo foi um dos principais avanços da humanidade, colaborando para o desenvolvimento da raça humana (Figuti, 2002 ). Na época anterior à descoberta da produção do fogo, os seres humanos tinham que esperar um raio cair em uma árvore ou um incêndio numa floresta. O homem ficava totalmente dependendo do acaso para conseguir este precioso bem. Com o desenvolvimento da inteligência, através da observação, o homem conseguiu produzir o fogo. (Perdrizet, 1992).

As primeiras provas da tentativa do controle sobre o fogo datam de 790.000 anos atrás, encontrados por pesquisadores da Universidade Hebraica, em Jerusalém, e da Universidade Bar-Ilan, em Ramat-Gan, fizeram as descobertas num sítio arqueológico que é considerado uma encruzilhada de povos da África e da Eurásia. O sítio chama-se Gesher Benot Ya'aqov e fica às margens do Rio Jordão no norte de Israel, sugerem que espécies de hominídeos como o Homo-erectus tinham comportamentos evoluídos. A 34 metros de profundidade, foram encontrados numerosos instrumentos de pedra usados para produzir fagulhas e restos de vegetais calcinados, o que indicavam uma rede de fogueiras. (Naama, 2004).

Com a produção do fogo, o homem pré-histórico garantiu um grande avanço, pois podia iluminar a caverna, cozinhar a carne, espantar os animais selvagens e garantir o aquecimento nas épocas de frio. (Craipeau, 2006)

O fogo é uma reação química exotérmica, auto-sustentada onde a chama é apenas a ionização do ar pelo calor gerado na reação, a chamada combustão. A madeira, por exemplo, é formada basicamente por um açúcar, a celulose, que tem fórmula molecular CnH2nOn. A celulose da madeira está em um processo de oxidação com o O2 atmosférico, produzindo: carbono, monóxido de carbono, dióxido de carbono e vapor d'água. Essa reação é bastante exotérmica e o calor gerado por uma oxidação é capaz de vencer a barreira de ativação da oxidação seguinte. A energia gerada também esquenta o ar em volta da zona de oxidação e este quente passa a emitir luz, através da radiação de corpo negro. (Chesman,2004 )

Por isso que chamas mais quente são azuis e chamas mais frias são amareladas. Chamas mais fria costumam ser causadas por queima incompleta do combustível - falta de oxigênio ou umidade roubando energia são fatores que causam este efeito. E queimas incompletas geram monóxido de carbono ou até mesmo fuligem, que é carbono puro. (Matheus, 2006)

A fumaça é definida como o transporte de gases e partículas sólidas e líquidas pelo ar, quando um material sofre pirólise ou combustão. Toda fumaça originada da combustão de material orgânico é tóxica e em concentrações suficientemente altas apresenta condições de perigo para as populações expostas.

A combustão é um processo químico de oxidação que ocorre em uma taxa suficientemente rápida para produzir elevação da temperatura originando calor ou chama. (Hartzell, 1996).

O processo de combustão envolve três estágios: ignição, flamejamento e combustão lenta. A ignição é o processo inicial em que se observam pequenas chamas. No segundo estágio, a combustão é mais eficiente e há emissão de dióxido de carbono (CO2), nitrogênio (N2), água (H2O), óxido nítrico (NOX) e dióxido de enxofre (SO2). No terceiro estágio, ocorre um processo de baixa temperatura e ausência de chama, com a emissão de grandes quantidades de compostos parcialmente oxidados, tais como, monóxido de carbono (CO), metano (CH4) e outros hidrocarbonetos particulados. Entre os dois últimos estágios ocorre a formação de etino (C2H2) e cianogênio (NCCN). O etino sofre polimerização, via radicais livres, até a formação dos núcleos aromáticos, dando origem aos hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs). Alguns HAPs contendo menor número de anéis aromáticos, como naftaleno, fenantreno e antraceno, reagem formando outros HAPs de maior peso. (Hepp, Siegmann, Sattler, 1995;).
Tais compostos representam uma classe importante de poluentes ambientais, reconhecidos por sua ação mutagênica e/ou carcinogênica, pois as lesões resultantes das ligações desses compostos com o DNA, quando não reparadas, poderão iniciar o processo carcinogênico.( Bartsch, 2000 )

O comportamento instintivo dos primeiros seres humanos de se proteger das intempéries e predadores, encontrarem abrigo para descansar e renovar as forças foi o que provavelmente originou a criação do que hoje denominamos por habitações ou moradias (Yopanan, 2010).

As maiores inovações produziram-se, porém, nos Estados Unidos, sobretudo em Chicago, onde em 1885 William le Baron Jenney erigiu o primeiro arranha-céu, o Home Insurance Building. (Enciclopédia Barsa, 2002)

O Edifício Martinelli, que se localiza na Avenida São João, foi o primeiro arranha-céu da cidade de São Paulo, além de ter sido o prédio mais alto da América Latina no final da década de 1920. O seu proprietário chamava-se Giuseppe Martinelli, imigrante italiano que fez fortuna no Brasil. (Enciclopédia Barsa, 2002).Construído entre 1925 e 1929, totalmente de concreto armado, o Edifício Martinelli, com 30 andares e 130 metros de altura (Enciclopédia Barsa, 2002)

Ao longo do século XX muitos países, principalmente os Estados Unidos, dedicaram tempo e dinheiro na pesquisa sobre o comportamento do fogo e da fumaça, em incêndios de edifícios comerciais, “A instalação de sistema de controle de fumaça existe há muito tempo nos EUA e em países da Europa, que sempre se preocupara muito com a questão de incêndios, face as características construtivas dos edifícios, e a consciência que a fumaça pode matar”. (Kayano, 2005).

No Brasil tem sido notório depois das ocorrências das duas tragédias nos Edifícios Joelma e Andraus entraram para a história de São Paulo pelas tragédias das quais foram cenário. Pegaram fogo respectivamente em 1972 e 1974, ambos em fevereiro. Pela semelhança dos acontecimentos e proximidade espacial e temporal, deixaram à cidade traumatizada por algum tempo. Acabaram expondo as feridas escondidas pela cidade e mostraram perigo que muita gente corre diariamente sem saber. Infelizmente não serviram de lição definitiva da importância da segurança nos edifícios. Prova disso é que continuam ocorrendo tragédias semelhantes, frutos da negligência e comodismo. (Seito , 2008)

Depois do incêndio, o Edifício Andraus foi totalmente reformado. Ganhou parapeito de concreto para evitar que o fogo passe de um andar para outro no caso de incêndio, escada externa, portas contra fogo em todos os acessos às escadas, iluminação de emergência com gerador à óleo, gás encanado para substituir os botijões e brigada de incêndio com treinamento periódico. No incêndio ocorrido em 24 de fevereiro de 1972, acredita-se que o fogo tenha começado nos cartazes de publicidade das Casas Pirani, colocados sobre a marquise do prédio. O total de vítimas foi de 352, sendo 16 mortos e 336 feridos. (Faria, 2000).

Já no Edifício Joelma, o incêndio ocorrido foi no dia 1º de fevereiro de 1974, com início às 8h30, no 12º andar. A causa possivelmente um curto-circuito no sistema de ar condicionado causado por sobrecarga elétrica, no total foram 533 vítimas, sendo 188 mortos e 345 feridos. A ausência de ventos fortes e o vão que separava o prédio de seu vizinho, o Edifício Saint Patrick, impediram que o fogo se alastrasse. O edifício não possuía escada de incêndio. Naquele dia, o gerente de instalações da Crefisul Kirill Petrov apresentou à diretoria o projeto da escada que seria instalada depois de um mês. O Setor de Treinamento e Recursos Humanos também estudava outras medidas de segurança, como a contratação de um bombeiro para cada andar e cursos de abandono do local no caso de emergência para funcionários. (Fernandes, 2000)

No Edifício Andraus, várias pessoas conseguiram chegar ao heliporto e ser resgatada por helicópteros. Lembrando-se disso, diversas pessoas que estavam presentes no dia do incêndio do edifício Joelma dirigiram-se ao último andar, mas o edifício não tinha heliporto.

As telhas de amianto, escadas e madeiras impediam que os helicópteros pousassem. (Prado, 2009)
Depois de reaberto, o prédio já sofreu pelo menos duas interdições, em 1981 e em 1994. Em 1981, foi o técnico alemão Ernest Aquiles que denunciou seu precário sistema de proteção contra incêndios. (Oliveira,2008).

No dia 07 de fevereiro de 1974, uma semana depois do Joelma e dois anos após o Andraus, foi assinado pelo então prefeito Miguel Colassuono o decreto municipal nº 10878 que “institui normas especiais para a segurança dos edifícios a serem observadas na elaboração do projeto na execução bem como no equipamento e dispõe ainda sobre sua aplicação em caráter prioritário”. Antes disso, não havia legislação sobre segurança predial. (Diário oficial, 1975).

Com a Lei nº 684, de 30 de setembro de 1975 que Autoriza o Poder Executivo a celebrar convênios com Municípios, sobre Serviços de Bombeiros, se iniciou a busca de segurança contra incêndios para a população em geral em 31 de Agosto de 2001 com o decreto nº 46.076 que Institui o Regulamento de Segurança contra Incêndio das edificações e áreas de risco. (Diário Oficial, 2001).

Em todo o século 19 foram registrados 12 grandes incêndios, que acarretaram 5 310 mortes. No século 20, de janeiro de 1900 a abril de 1996, já  haviam sido registrados 118 grandes incêndios, com 11.802 mortes, das quais 2.070 ocorreram nos últimos dois anos. Nos primeiros 40 anos do século XX (1900 a 1939) houve 17 grandes incêndios; nos 40 anos seguintes (1940 a 1979) houve 69 grandes incêndios. No Estado de São Paulo os incêndios ocorrem e vêm aumentando desde 1975 (8.682 ocorrências) a 2006 (50.528 ocorrências).

Estatísticas são apresentadas nos gráficos das figura , referentes aos incêndios ocorridos no mundo e em no Estado de São Paulo, para análise contextual. (Junior, 2004).

E com o aumento de ocorrências de incêndios e adensamento populacional, nos grandes centros urbanos, os setores tecnológicos buscaram soluções paraprover o abandono seguro das edificações e dar condições de combate a incêndios